O mundo enquanto uma imensa malha viária, e nossas vidas enquanto trilhos que começam num lugar e pretendem ir até outro.
É possível imaginar que para cada um de nós já existe um trilho?
É possível imaginar que necessariamente existe um trilho já definido para cada um de nós?
Acredito que muitos meios podem nos levar ao mesmo fim. Por isso, penso que ao longa de nossas experiências acabamos desenvolvendo nossas pequenas filosofias de como ser feliz e bem viver. Posso dizer com certeza que minha filosofia de vida funciona para mim, assim como outras funcionam para outros. Quero dizer, não existe uma maneira única de encarar a vida e seus dilemas. Eu, por exemplo, encaro assim:
Eu arrisco dizer que não existe um trilho já definido para cada um de nós. Se hoje conseguimos perceber que existem trilhos, credito isso ao fato de que alguém já percorreu tal trilho. E, se reduzimos isso ao absurdo, esse alguém percebeu esse trilho, porque antes dele, alguém também percorreu esse trilho, e se voltamos mais ainda na cadeia lógica, podemos considerar que os trilhos existiram por todo o tempo, uma vez que não podemos determinar quem foi o primeiro a percorrer um caminho, sem ver à sua frente trilhos já colocados.
Mas, é complicado imaginar que esses trilhos existiram por todo o tempo, ainda mais quando imaginamos que esses trilhos podem ser metáforas para carreiras ou ocupações que não existiram desde o princípio. E mais ainda, quando pensamos, que surgem sempre novas ocupações e maneiras de viver a vida todo dia. Por tal, acredito que sempre existem trilhos pré-definidos. Mas, sua existência não anula a possibilidade da criação de novos trilhos.
Além disso, imagine o porre e o tédio que é percorrer trilhos que outros já percorreram. Para onde vai a sensação de novidade, de liberdade, de aventura, de originalidade? Ah, mas construir o próprio trilho é complicado! Concordo absolutamente. Ainda mais quando estamos acostumados a sempre seguir trilhos já definidos. É sempre difícil realizar uma tarefa com a qual não temos a mínima intimidade.
Aqui é importante uma mudança de atitude. É preciso sair da passividade de quem espera encontrar um trilho pronto, para a atividade de quem sabe que existem muitas possibilidades quando se escolhe fazer o próprio trilho. Só que fazer isso é agarrar a vida com as próprias mãos. E envolver-se de forma mais ativa na própria vida. É preciso deixar de acordar para fazer aquilo que esperam que voce faça. Por outro lado, é preciso acordar e fazer isso ou aquilo que voce faz porque escolheu fazer. É preciso praticar escolher o que fazer, escolher pequenos atos, exercitar-se no ato de decidir sobre a própria rotina, para quem sabe ter experiência para decidir sobre a própria vida.
Nessa hora o que nos dá um tapa na cara é ver que no fundo tudo se gira em torno de assumir um compromisso consigo mesmo. Fazer as contas e dividir o tempo realizando atos que você planejou fazer que só voce saberá se fez ou não.
E, então, penso sinceramente que por trás do anseio por um trilho, está uma grande vontade de esperar que vida te dê opções de mão beijada, como tem dado até agora. Pena que agora, a vida virou para você e disse: “amigo, até aqui eu fui te dizendo o que voce vai fazer. Daqui para frente, é só com voce. Boa Sorte e Boa viagem”.
Mas, calma não há motivo para tristeza, medo, decepção, ou preocupação. Pelo contrário, no melhor estilo matrix, é tempo de acordar e olhar atentamento para o novo mundo, ou para as essências que se mostram por trás de um mundo que até então era o único real. Envolva-se com esse mundo. Questione-o. Questione o fundamento de sua escolhas. Questione suas motivações para curto e longo prazo. Questione suas vontade. Questione seus sonhos. De forma alguma para eliminá-los, mas ao contrário, para fortalecê-las.