Conversando sobre educação

Nada de mais normal do que me sentir convidado, intimado e obrigado a abrir uma categoria por aqui na qual possa dar vazão aos sentimentos e pensamentos instigados durante minhas visitas a escola onde estou inscrito como estagiário para o desenvolvimento de estágio referente a minha licenciatura em filosofia.

Relutei durante algum tempo por achar que acabaria por derramar palavras de crocodilo por aqui tornando nula a relevância do que eu escrevesse. Mas, hoje, durante o estágio, sentado ao fundo da sala, observando ao professor, me senti na missão de deixar registrado as reflexões que me ocorrem durante a assistência dessas aulas.

Na pior da hipóteses, estarei escrevendo pensamentos tão desconexos e sem sentido que maldade ou desconforto nenhum tais pensamentos deverão suscitar.
Na melhor das hipóteses, esses pensamentos aqui registrados podem ser úteis para em um futuro não muito distante. Quero dizer, é possível que a longo prazo, mas não tão longo, eu posso reler o que escrevi e analisar em que momento minha maturidade sobre o assunto em questão se encontrava.

Partindo para o post de inauguração pensei em resumir um pouco o dia de hoje, isto é, as 3 aulas que assisti como estagiário.

Antes de mais nada, nem preciso dizer que estagio numa escola pública. Afinal de contas, é pressuposto que aluno de universidade pública deve estagiar na rede pública de educação. Tenho mil ressalvas sobre isso, e estou deixando essa frase aqui como referência para um futuro post.

Não para não pensar e questionar, durante a aula, qual o seu propósito. Porque instituímos uma lugar onde nossas crianças e adolescentes são levados para passar uma parte inteira do dia, simplesmente sentados olhando para um adulto falando… falando… falando…
Obviamente sempre alguém vai dizer que escola, educação, educar, ser professor é muito mais do que isso. Num primeiro momento, concordo absolutamente. Mas, na realidade, e se posso usar aqui do termo experiência, o que experimentamos não vai de encontro ao que todo o pensamento coletivo entende como missão da escola, ou função da educação.

Alunos cansados da rotina, conversando sobre o final de semana, planejando o que vão fazer ao fim do dia, ou depois do almoço, enquanto o professor narra uma história mal contada, para um público que se enterte em pensamentos distantes.

Alguns calados, pensamento voando. Quem olha acha que ele está ultra concentrado na fala do professor, mas basta um olhar atento e percebe-se que ele se encontra distante. Outros, pensando em voz alta, discutem exercícios de matemática, ou debatem sobre algum questão que pode cair na prova de história que será feita no dia. Um retrato de um universo no qual a aula se torna muito produtiva, e muito desnecessária.
Ao final da terceira aula, o professor já se encontra num estado psicológico preocupante, acumulado desde a primeira aula através de pedidos de silêncio e falas em alto volume para chamar a atenção dos alunos. Nem preciso dizer que quanto mais alto o professor fala, mais alto os alunos falam para que o colega que está um pouco longe possa ouvir do que se trata o assunto particular discutido.

Se o assunto universal da aula perde voz diante de assunto particulares mais interessantes ou mais urgentes, e quem sabe simplementes mais importantes, porque o assunto universal ainda não foi mudado?

Outrora, os professores não tinham uma preocupação quanto aos assuntos particulares. Para um modelo onde o pressuposto é transfefir, ou informar aos alunos informações que serão cobradas em provas, teste e vestibulares, o professor pragmaticamente apelava para as ameaças e punições. Para tal modelo, professores constantemente taxados de carrascos, chatos, desumanos, tinham como estratégia o terror. Hoje, o terrorismo não surte mais efeito. Ou melhor, até surge efeito, mas passa longe daquele obtido outrora. Hoje, se voce é ameaçador para com os alunos, eles se levantam e são ameaçadores para com voce. Hierarquia e autoridade se extinguiram.

E o que sobrou? Ainda existe alguma estratégia possível para um modelo precário de educação fundada em fracos objetivos.

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