Apenas uma leitura

Postado em Sérios em outubro 9, 2010 por Tennessee W. M. Matos

O que a internet mais tem agora são textos falando do lançamento do filme e apresentando cenas do roteiro. Parece ser uma tentativa de situar o leitor que não viu o filme no que acontece no filme. Como a internet está transbordando de resumos do roteiro, talvez um texto mais interpretativo, com uma tese, uma sugestão de chave de leitura do filme, a essa altura do campeonato seria interessante.

A primeira opção que parece vir à tona ao se tentar interpretar o filme é ter de escolher se o filme é pessimista ou otimista ou neutro. Como aquele que vos escreve é muito pessimista (com respeito às ações humanas) pensei em me desafiar a fazer o contrário do que faria com facilidade: Arriscarei construir ou sugerir uma leitura de que o filme possui elementos de otimismo.

Primeiramente, remeto ao contexto externo do filme. De força argumentativa mais fraca, mas não menos importante, é preciso atentar para as afirmações do diretor do filme e para a carreira de crítica social/política que são representados pelos filmes que o diretor de tropa de elite 2 possui em seu currículo. Parece estranho alguém perder tempo com 3 filmes críticos para trazer a tela dos cinema uma visão pessimista de mundo. Nesse sentido, parece que às vezes, o filme pode mais despertar um pessimismo resguardado no pensando do telespectador do que algo inerente ao filme. É preciso cuidar para achar certo equilíbrio entre a intenção da arte e a interpretação que fazemos dela. Se não corremos no risco de achar que o cocô de barata na tela poderia ter um papel fundamental no filme até que o diretor vem e diz que é só um cocô de barata. Bom, mas como disse, esse ponto é de fraca força argumentativa. Tentarei uma mais forte.

Em segundo lugar, não é necessário achar que um filme que não tem final feliz aos moldes hollywoodianos seja um filme pessimista. Se pautar pelo cinema americano pode ser um erro fatal. Pois, no geral, o cinema americano é ficção por ficção, e quando quer criticar coisa séria com um roteiro escrito a partir de fatos reais substituindo tudo por nomes fictícios, reserva um espaço muito bem específico para isso conhecido sob o nome de DOCUMENTÁRIO.  Além disso, também é algo muito ingênuo fica fazendo um levantamento estatístico do filme entre cenas tristes e cenas felizes, ou entre cenas frustradas e cenas felizes. Nesse sentido, o filme cai facilmente na vala comum do pessimismo porque é uma corrupção atrás da outra. Quando se tira o tráfico da favela, surgem as milícias. Quando se eliminam as milícias, descobre-se os políticos estaduais corruptos. Quando prendem os políticos estaduais, descobre-se que o buraco é mais embaixo, melhor dizendo, mais em cima com os políticos federais. Mais alguns minutos de filmes e o Padilha mostraria o filme tropa de elite 1 sendo assistindo, com versão pirata, no avião presidencial.  E aí, mais uma vez a vala comum abre-se e todos saímos do filme com a idéia: “faca na caveira e porrada em todo mundo”, inclusive em nós mesmos, porque se até o presidente ….

Agora, uma abordagem otimista que pode ser insinuada é o aspecto positivo e esclarecedor que essa linha de corrupção acima apresentada trás a tona. A mídia tradicionalmente confunde a cabeça do telespectador ou resume a missa de forma muito confusa. Já o primeiro filme vem para mostrar como o consumidor final de drogas da universidade, que não planta sua própria maconha, sustenta o tráfico de drogas. Tal crítica, aos olhos do próprio diretor é clichê, mas precisava ser um passo para no segundo filme, mostrar uma linha de corrupção mais desconhecida da maioria do povo. Afinal, “sai o tráfico, entram as milícias a serviço de políticos” não é uma crítica que se veja na TV costumeiramente”. Ela pode ser colocada dentro da parte em que o filme diz ser uma obra fictícia. Mas, o que pensar quando o diretor diz que no rio a coisa é pior do que o filme mostra?

Retomando, acredito que se o primeiro filme foi clichê no roteiro por mostrar a tão batida relação entre o consumo de drogas e o tráfico (o que nos fez ficar com as frases de feitos na cabeça e dando a mínima para o pano de fundo “consumo X tráfico de drogas”), o segundo não incorre neste erro. O tráfico abre espaço logo no começo para mostrar como o título filme sinaliza: “O inimigo é outro”. E isso é algo positivo, pois traz para a sociedade um aspecto desconhecido. Quando o Nascimeto vai colocar a boca no trombone, ou no microfone diante da câmara, as primeiras falas são de alguém profundamente frustrado com a polícia, alguém voltando atrás em suas convicções. Alguém assumindo que é preciso diante dos novos fatos, mudar, refazer as linhas de pensamento, e planejar novas posturas. Aquele cara que acreditava que a solução pra bandido é a morte, aquele cara que estava torcendo para os caras em Bangu I se matarem não estava mais naquele cara que pegou o microfone. O Nascimento ao microfone era alguém que percebeu que bandido é a apenas bode expiatório. Que a solução estava trás de saber “para quÊ” ou “por quem” se mata. Uma mudança de postura dessa magnitude não pode soar como algo pessimista. Se a capacidade de mudar o diagnóstico não é algo positivo, o que mais pode ser?  Até para mim, que não tenho muita fé nos homens, acho que o filme mostra que o Cap. Nascimento entrou na Secretaria, ficou sem chão, totalmente perdido quando o Mathias morreu, mas se reencontrou quando sobreviveu àquela emboscada e foi parar no microfone. (quer uma melhor atualização da tão batida jornada do herói)

Agora, também seria incorrer em erro tirar o problema de um lugar e colocar em outro. E isso me leva a cena final. O filme não carece de uma terceira película, porque Padilha foi até o fim, e nos mandou um perfeito cruzado que já era pretendido desde o primeiro filme: tudo parecia começar na favela, mas em verdade, tudo começa em Brasília. E quem coloca os caras lá em Brasília?

 

Ainda quero fazer uma leitura de algumas cenas específica do filme, como por exemplo, a cena em que o Nascimento é aplaudido de pé quando entra no restaurante para bater de frente com os políticos. A cena em que o político toma uma surra, e a cena em que a velinha liga para o Rocha pedindo mais dinheiro para não alugar a casa pra outra pessoa.

 

 

 

Vi e achei legal,

Postado em Videos com as tags , , em outubro 2, 2009 por Tennessee W. M. Matos

Antes a Kate Perry também fazia um som muito bom.

Talvez volte a escrever…

Postado em Sérios em junho 20, 2009 por Tennessee W. M. Matos

A um ano atrás, postei aqui um texto sobre filosofia e natureza. Recebi 2 comentários. Um em particular de xingamento. Fiquei me perguntando se isso foi direcionado ao texto que escrevi ou ao blog como um todo. Bom, a partir do comentário, adicionei ao meu predicado o termo filho-da-puta.

Hoje, fico me dividindo entre postar ou ficar pela net apenas acompanhando post de outros blogs de leitura diária. Acredito que esse dilema surge na sensação que tenho de que nada do que eu disser pode ser uma contribuição significante para os assuntos que todo dia surgem. É, tenho uma mania de querer ficar contribuindo para o assunto.

Postado em Videos em janeiro 3, 2009 por Tennessee W. M. Matos

Umbilical Brothers – Bathroom

Postado em Videos em dezembro 30, 2008 por Tennessee W. M. Matos

Pollyshop – Kit Left Revolution

Postado em Videos em dezembro 3, 2008 por Tennessee W. M. Matos

Will Ferrell is The Phantom of the Opera

Postado em Videos em outubro 26, 2008 por Tennessee W. M. Matos

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Postado em Videos em outubro 26, 2008 por Tennessee W. M. Matos

I am the Walrus – Jim Carrey

Postado em Videos em outubro 4, 2008 por Tennessee W. M. Matos

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Postado em Videos em outubro 4, 2008 por Tennessee W. M. Matos

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